20:43
Minha amiga de Turim (que não é Nietzsche) me escreveu hoje (e eu nem falei nem de signos nem de arcanos nem de porra nenhuma):
Ma penso che oramai lo sappiamo quando occorre darsi una mossa.
Ho pensato che abbiamo entrambi un transito “plutoniano”. Come nel mito
di Persefone che viene rapita e portata nel mondo sotterraneo.
Se ben ricordo tu hai il Sole in Bilancia più o meno agli stessi gradi della mia
Luna in Ariete. Questo significa che entrambi abbiamo la quadratura di Plutone.
Che è appunto il dio che rapisce Persefone.
Sono transiti pesanti ma si può uscirne vivi. O addirittura rigenerati.
Ho pensato di dirti questo: che con la scrittura del tuo romanzo, stai facendo un grosso
lavoro di scavo interiore ed è comprensibile un periodo di introversione. E poi con questo transito
plutoniano, ci sta.
Sono sicura che finirai il libro e che sarò molto bello. E che sarà come una rinascita. E che arriveranno anche più soldi. Solo abbi cura della tua salute.
M.I
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
09:12
amor, existe gente que rouba livros,
esconde livros num paraíso
para decorar paraíso com eliot,
com eliot, suvaco de cristo!
com eliot
obras conversas de um escritor que:
jogava xadrez com a morte!
esconde livros num paraíso
para decorar paraíso com eliot,
com eliot, suvaco de cristo!
com eliot
obras conversas de um escritor que:
jogava xadrez com a morte!
o
do pop do cúmulo
o absurdo-terra tem endereço
classe medieval
rio
do pop do cúmulo
o absurdo-terra tem endereço
classe medieval
rio
e uma livraria, sempre
papel-mentira
nós
papel-mentira
nós
um dia vão dizer que era
mentira, papel, goethe
um desvario tentando endereçar
nós
mentira, papel, goethe
um desvario tentando endereçar
nós
um dia vão dizer que freud-cocaína
que você e eu essa foto,
esse site
eles
um dia vão dizer q não
se pode falar mais
o que gastamos
muito
que você e eu essa foto,
esse site
eles
um dia vão dizer q não
se pode falar mais
o que gastamos
muito
darão nome as vacas
prazer, encantada: jane.
leysla, eu, charlotiê
na sua cacherrete
você é minha estrada
24 horas
de herói
a saga
prazer, encantada: jane.
leysla, eu, charlotiê
na sua cacherrete
você é minha estrada
24 horas
de herói
a saga
e um dia alguns deles -
os tentativos,
desorbitados
não terão voz nem voto
nem face no espelho
nem face com senha
nem senha nem memória
"não falo, não falo, não falo"
só sei lá o que eu sei
porque eles não sabem
nada, o amor, amor
os tentativos,
desorbitados
não terão voz nem voto
nem face no espelho
nem face com senha
nem senha nem memória
"não falo, não falo, não falo"
só sei lá o que eu sei
porque eles não sabem
nada, o amor, amor
é horrível a cena
parece Eliot-brincadeira,
veja se Lacan
vai fazer
eles vão engolir
cadernos
folhas
loucas
rasuras
gatafunhos
parece Eliot-brincadeira,
veja se Lacan
vai fazer
eles vão engolir
cadernos
folhas
loucas
rasuras
gatafunhos
tentando se salvar.
L.R
08:25
cabou o tempo. to indo pro rio agora. se eu achar um telefone posso t ligar? quero dizer, um orelhao?
cabou o tempo. to indo pro rio agora. se eu achar um telefone posso t ligar? quero dizer, um orelhao?
eu chego lá em 6 horas
eu chego aí depois,
eu pensei em v
nem era a jane nem nada eu eu
ninguém
pensando em você
existe alguém q pensa, aqui, em vc
sou APENAS eu
bjous
L.R
12:23
liga
de orelhão, de orelhinha,
compra um chip da tim
dá p ligar de graça
p mim
p nós
o sol tá fervilhando
nas calçadas de natal
eu tomo café nas bancas de revista
eu tomo café na padaria
eu ouço músicas de ouvido, no orelhão da minha cabeza cortada
eu canto
de cabeza
de olvido
assovio
se seu zequinha tivesse vivo eu ia na bodega dela
água de coco e caldo de cana
seu zequinha vendia também besouros vivos
não como os da lawanda, penso
eram minúsculos, pequeninhos
a gente devia comer eles vivos
botar no meio da comida
eu comi
isso foi em 1900 e oitenta e alguma coisa
natal tinha restaurantes naturebas e eu nunca fui natureba
mas comi os besouros de seu zequinha
mas sabe o q eu mais gostava de seu zequinha?
é q ele fumava sempre
e era sempre um resto de cigarro, o tabaco preto fumaçando no canto da boca, a barba de dois dias,
nunca vi um cigarro inteiro nos beiço de zequinha
seria como vê-lo de barba feita, cabelo englostrado, terno, gravata
e tinha as unhas pretas, o canto das unhas pretas
ninguém se incomodava quando zequinha abria um coco e entregava p gente o canudo com as mãos carcomidas de negror
seu coração... tem algo q não muda...
sigo assoviando
daí
fui p'o mercado, tinha feira de vinis
encontrei um fradim do henfil, sinais:
"CAATINGA INTEGRADA AO SUL MARAVILHA! NO PR´OXIMO FRADIM 22"
e
um brecht, na página vinte e cinco as palavras de uma mulher apaixonada
um dia vou ler p vc
ou vc vai ler p mim.
por enquanto, liga.
me beija.
rápido
me beija outra vez.
M.I
19:44
meu animal de estimação é um peixe. ele chama sushi, morra dentro do livro do dalton trevisan. no dia q ele morreu eu colei a lista do q eu tinha q fazer no vidro do aquario e fui fazendo as coisas. qd terminou fui falar com ele. oi, sushi. nada. bjous boiando. agora a gente viaja juntos. eu expliquei pro sushi q ele não pode mais morar dentro do aquario porque le morreu. que o livro do trevisan ele já leu e agora ele precisa ficar dentro da minha carteira amarela. a carteira amarela fica dentro da bolsa, a bolsa na mala, a mala pra onde meu deus? cada um tem o filho q pode cuidar. eu cuido dum peixe cadáver. a avó dos sushi falou: isso aí morre toda hora. se livra. claro que não, faço o que eu puder. tem mãe melhor q eu?
meu animal de estimação é um peixe. ele chama sushi, morra dentro do livro do dalton trevisan. no dia q ele morreu eu colei a lista do q eu tinha q fazer no vidro do aquario e fui fazendo as coisas. qd terminou fui falar com ele. oi, sushi. nada. bjous boiando. agora a gente viaja juntos. eu expliquei pro sushi q ele não pode mais morar dentro do aquario porque le morreu. que o livro do trevisan ele já leu e agora ele precisa ficar dentro da minha carteira amarela. a carteira amarela fica dentro da bolsa, a bolsa na mala, a mala pra onde meu deus? cada um tem o filho q pode cuidar. eu cuido dum peixe cadáver. a avó dos sushi falou: isso aí morre toda hora. se livra. claro que não, faço o que eu puder. tem mãe melhor q eu?
L.R
10:55
;)
sumidouro do espelho é um bom título p um ~romance~
M. I
**
muito romantico. <3
queria ter um gato que chama borboleta
não vou deixar ninguém roubar.
com quem v tá me trainuuuu?
se for loira vou nublar!
responde, coração. ou não responde. eu espero. sempre. saudade,
L.R
e aí vou responder p vc:
- se vc tiver me traindo com seu marido vou nublar!
;))
tô fazendo café
e entro no skype
se vc tiver
M.I
***
não. to traindo com a jade.
L.R

***
não. to traindo com a jade.
ai meu deus faz esse tarot direito
eu Escrevo e negocio
a vida é tão exata sem amor, jade
acho q não sou mulher
Hahahaha
se eu fosse saberia ler as cartas
eu fiz cartas de tarot jade.. estão todas pintadas, todas, eu mesma desenhei nelas os persongens, era um baralho. eu trabalhava de tirar aqui do bolso e mentir. ganhei 400 pesos todo mundo na argentina acreditou, comprei um café e ri. chanteria. chanteria eu ri porque era mentira. só acredito em vc
11:11
ainda dá tempo eu falei de você
ainda dá tempo eu falei de você
assim: jóias e sapatos, sim
isso não pode dar
errado esquecer pronto
a vida existe uma vida para ser vivida
quando a gente vomita ela nubla
a dona silvia vira uma memória de
escritor que bebeu
os escritores bebem por algum motivo
as escritoras também
ainda dá tempo do avião que voa
ao contrário
chegar o ticket em algum emaio
este ou este o seu ou o meu
é chato fazer isso q eu tô fazendo
lembra lambe lembra
L.R
11:01
ontem
fui pro show do
meu irmão
q é poeta e tem
uma banda chamada os poetas elétricos
ele escreve
coisas assim
os fins são sempre ruins os meios
devaneios só me interessam os inícios e os vinicius de moraes nada mais
ontem
fui praquela calçada de novo
aquela da pole dance
mas noutro bar, o de dona sílvia,
que na verdade chama confeitaria atheneu, sem placa
dona sílvia tem uns oitenta anos é
magra como um sibiti arrasta os pés mas sempre sorri quando oferece mais uma
cerveja
quando me vê diz – meu filho, anda
tão sumido, nunca mais veio
venha, venha
dona sílvia tem um marido
um marido preguiçoso
o nome dele é adelman, ou algo
assim
seu adelman tá sempre sentado, a
camisa aberta no peito, o bigode esbranquiçado
e um palito de dentes no canto da
boca
ele só olha
e dona sílvia pra lá e pra cá
e seu adelman, ou algo assim,
sentado, cavoucando os dentes
quando dona sílvia tá lá p dentro,
resolvendo uma paçoca ou uma moela ou um queijo-do-reino (d. sílvia se orgulha
do queijo-do-reino q serve – é legítimo, ela diz, mais contente q qualquer
grand-master-chef de 4 costados), e a gente olha p seu adelman e ele olha lá p
dentro chateado se d. sílvia não chega logo porq aí, aí, meu bem, seu adelman
vai ter q levantar e ele mesmo buscar o q a gente pediu com os olhos
ontem d. sílvia tava sentada num
canto, longe
ela nem me viu
uma filha vem buscar
quando fica tarde
ela nem me disse, meu filho, anda
sumido, venha mais vezes
eu tenho ido pouco, porq não me
deixam mais fumar na calçada
e a filha de d. sílvia, a q fica no bar depois q d. sílvia vai p casa, é uma chata
o marido é até legal, o marido dessa
filha da d. sílvia
mas a filha de d. sílvia enche os
copos na hora q não é p encher os copos
e oferece mais-uma-cerveja sem a felicidade
de d. sílvia
q nunca enche os copos na hora
errada
ontem
eu tive lá
mas lá tava mais p confeitaria
atheneu do q p d. sílvia
porq a gente não diz q vai p
confeitaria
mas p d. sílvia, assim, quase com
orgulho
dona sílvia virou metonímia, ou
algo assim,
o q é bastante injusto com d.
sílvia q dispensa literariedades
só d. sílvia é justa com ela mesma
ontem
d. sílvia não me viu
nem eu corri p ela
quando vejo d. sílvia assim meio
jururu eu prefiro nem falar porq não quero pensar num mundo onde d. sílvia não
esteja mais
ontem
a mesa era tão grande
e eu não quis ter saudade
de você
talvez ainda dê tempo
d’eu viver num mundo sem você
mas ontem a mesa era tão grande e
tudo tão distante q eu preferi ficar mesmo perto do meu uísque (porq não gosto
mesmo de cerveja e porq não queria q a filha de d. sílvia tentasse desajeitada
encher meu copo na hora inexata)
ontem as horas tavam bem inexatas
eu tava todo inexato
e quando voltei p casa vomitei em
local inexato
depois eu limpo o vômito
depois eu limpo tudo
M.I
PURA FALTA DE JANELA
07:19
eu posso chamar loli rouge?
eu posso chamar loli rouge?
a jane fuma longe da janela
ela me dizia que tinha que esperar
esse negócio todo porque romanticos
e o tempo todo eles tinham
do mundo
sou infelizmente pop
quando você me deixa feliz
emaios e mentiras de que vai
dar tempo: 24 horas
ainda já passou?
quero lembrar dos sapatos, cortinas
sol fechado
conta aberta
o prefeito, a cara do prefeito
e a gente fingindo que era-não-era
marginal pensava q ia por a mala no carro
pensava que eu era werter
porque ele sabia ir embora
depois lixava as unhas falando
herder, faz assim, um plágio
de si mesmo
eu e você num hotel revólver
perigos lindos marítimos
hotel com vista para o sul
te contei que a aliança ficou do outtro lado
extremo
nã tenho culpa que parece literatura
espera passar o avião
tem um segurança atrás de mim
não rouba minha jóia, vende, me devolve
vem, vem, falando sussura que não precisa
escrever tanto é feio explicar
cortázar que tinha jeito pra essas coisas coração
envia o poema rápido
você é bonito
traz um vinho
L.R
19:24
NADA É
CAPAZ DE DESCREVER MELHOR o estado da noite do que os gatos arruinando a
sala.
Lambem-se.
Saltam-se.
Mordem-se.
Empinam as
caudas, arqueiam as costas, arregalam as íris.
Que veem os
gatos, se são tão indiferentes a você?
O que olham? Sem
ver... As orelhas pontiagudas abrem-se em sinal de assombro, ou esperança. As
unhas riscam o sofá.
Tudo é caos, e
calma.
Olho para o sofá.
Lembro de O.; desnuda, de joelhos, as costas e a bunda voltadas para mim.
Ao final, me disse:
M.I
"She opened her mouth with wisdom and in her tongue is the law of kindness"
12:57
minha personagem tinha 15 anos, a charlotie, mandei. mas ela fica voltando. jornalista odeia livro grande de escritor pequeno,
explica pra ela que é jovem?
quer ler um pedaço?
L.R
13:00
13:00
quero.
QUERO.
QUERO>
QUERO>
você.
M.I
13:29
qqqqq também.
L.R
17:33
pensei q me enviaria os pedaços, ó pedaço de mim 1/2 afastada de mim
Enviado do meu iPhone
Enviado do meu iPhone
M.I
7:39
tenho vergonha do uísque e vergonha q ainda não publiquei. depois q me livro dos livros, deus me livro, não tem mais o que fazer
te
dou pra ler agora mas saiba q não sei se vc vai gostar porque não está
obrigado pelos selos da editora. ai, eles sabem editar. eu não sou
jovem. ex-lolitamente falando. v me acha mais jovem q vc? em falar
nisso...tá, amour do outro lado da ponte sempre dá emaio. saudade. vem
ler aqui tocando piano quem sabe eu não perco a cara de selo de editora e
até te publico isso aqui tá mais bonito. seus emaios. tudo é bonito aí
em natal?
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
11:52
me leva p passear sem coleira? me escreve todo dia a
cada hora como badalada de relógio campanário sino? me cuida me deixa
me beija me põe no colo me deixa cuidar de vc por vc no colo te beijar
te deixar
ainnn não
chega de palavratório
ufa
ufa
ufa
saudades continuam
eu continuo
M.I
12:47
12:47
gosto de passear pra comprar brincos
você torturado na banquinha de toldo quente
muito brinco: e esse? e esse?
depis só dá eu procurando coleiras de pérolas
te enfermo assim todo dia as vezes
a raquel me reconheceu, me disse que leu sim meu coração
de pedra pomes me deu um brinco vermelho
ela roubou dizendo: agora é meu.
você não rouba brincos, só olha bem e fala.
se for bonito você fala bonito, não esplendido
se for feio você não fala, quase feio
você sabe muito bem quando uma coisa
é uma coisa ou outra
todo mundo percebe
você é escritor que fala não tem medo disso
seu olho caiu hoje, ontem tinha uma estrela
você pintou por que se já nasceu borrado?
mesmo sabendo que não pode só você
pode, tá eu deixo
não fala que eu não falo eu conto tudo
em natal, devagar
no ritmo da onda que arrastou meu chinelo dourado
o dia que você não tava
hoje v tá
faz tempo já que eu menti q esperava
não é mentira mentir
eu não gosto, depois tem que desexplicar
L.R
09:07
preferia ser analfabeta
preferia ser analfabeta
aí no seu colchão
tive q vir embora
detesto vir, te abracei lá no sofá
v falou: vamos?
eu brinquei: a gente se vê ou a gente vai se falando;;;
você sabe não rir quando a piada é feia
eu gosto quando você olha também
não a beleza
tenho borrado muito
quando eu escrevo fico meio tóxica-nublada
escrevo muito
sempre ninguém vê, sempre
nunca leio pra ninguém
pede mais
eu não posso tentar entender isso. isso-você- muita onda na praia. alegria
muita onda, alegria. a gente deixava o tempo em paz e agora isso?
24 horas, vamos. eu continuo.
pra que isso de explicar?
prefiro dormir mil vezes
curar essa olheira-sombra-embaixo-dos- olhos
te dizer: daqui há 3 dias eu descanso dele, dela,
ninguém se importa
mesmo quando eu durmo
nunca dormi de maquiagem
em que cidade vc morou na itália?
eu compro botas pra ir pra lá
o cachorro da minha mãe chama bôta ou circunflexo-gatucho
peguei ele na estrada.
minha mãe coleciona animais
ele é muito legal, o bôta
prometi levar ele no avião
ele fica triste quando eu entro correndo cheia de palavra e conta
e não minto: a gente vai, gatucho, ele balança o rabo
quando eu minto q vou ficar . shhhhh, melhor não
eu saio com o bôta na rua, ele mente q lembra de mim
faz sempre tanto tempo
ele faz questão
eu também quero
brincar com vc
L. R
estranho,
mandei um email agora não sei se foi p vc,
coisas da internet, dos wireless, dos cabos sem cabos, das conexões,
de
tanta coisa.
ah tb não tô a fim dessa coisa pautada por palavras,
p mim tb não é fácil
...
ficar pensando em vc, tentando traduzir, explicitar, escrever,
preferia, agora, ser analfabeto.
...
mas aí escrevi isso ontem, acho q fala disso,
já nem sei
nem sei
...
não quero complicar, nem te complicar
seria tão fácil, foi tão fácil, nunca é
...
queria não pensar
o (q escrevi) abaixo foi pensado, o (q escrevo) agora, não
tenta ir num ímpeto, sem freios
...
dar um tempo? uma pausa? é isso? q deveríamos fazer? e o q faço com a sua ausência?
ontem senti frio
voltei p casa, entupido, encharcado, de uísque
sem estar embriagado.
chato tudo isso, essa confusão
enfim, voltei p casa
e senti frio, um frio fora de tempo, de clima, época, lugar
e era tua ausência
sem literarianismos, sem intelectualismos, sem racionalismo
era somente frio
isso foi o q senti ontem
nada poético
nada metafórico
nenhuma figura de linguagem
acho q tô complicando
nos complicando
não era p ser assim
a gente nunca sabe como era p ser
não tem previsão metereológica pr'o amor
...
pausa, cada reticência uma pausa, eu q detesto reticências
.
e agora me dou conta q - ao menos no literário - concluí com um ponto final:
***
LE MANS (PARTE II – Por isso fui
embora)
Não devia ter te deixado ir
embora.
Pra depois não saber o que dizer.
Pra depois sua carne virar tela
retina pixel.
Pra depois ficar procurando
palavras.
Ah que legal as palavras nosso
ganha-pão. Blá.
Foda-se o ganha-pão.
O mesmo sorriso.
A mesma sombra debaixo dos olhos
que não é rímel nem é olheira nem é nada porque
sei: só eu vejo.
O peito fora do sutiã.
A bermuda quadriculada colorida
que você diz que resgatou da casa da amiga porque a esqueceu quando migrou pra
Buenos Aires na companhia de um bando de pássaros que não tinham nada melhor pra
fazer do que migrarem pra Buenos Aires naquele inverno. Ou verão.
Em 1920, e dois, sei lá.
Conheço essa bermuda. É a mesma
que você zanzava aqui pela sala emputecida com alguma coisa que eu te fiz ou
deixei de te fazer.
Em 1923, ou 26, lembra, quando
casamos.
(Sim, deixei que você fosse
embora, mas isso foi noutro ano e estação, e agora é primavera – Não, não é,
senão lá vem você resgatar o Bandini e, foda-se o Bandini.)
Foda-se.
Conheço esse sorriso.
Conheço esse peito pra fora
do sutiã.
... pra ter que te responder e
inventar palavras que busquem ah sofregazinhas dizer quero trepar com você por
que tal vez o que eu queira de verdade é fo der com você e há uma diferença
entre tre par e fo der e não existem palavras que consigam dizer melhor isso
que o meu pau.
E a tu’alma. Ou minh’alma. E a
tua buceta.
E aí,
trepar-foder-comer-gozar- follar-joder, faz tudo uma grande diferença.
– Não, meu bem, não, não é uma
questão de semântica – falo, na porta da cozinha, palito entre os dentes,
café-frio na xícara. Nada é uma questão de semântica, eu, que não tenho a menor
ideia do que seja semântica
E só estou aqui, escrevendo,
enquanto esperam por mim,
por que não tenho outro modo de
te dizer que bastava um abraço
[... is here in my arms...]
que não findasse mais.
Uma dose de uísque
que não findasse mais.
E ter você até que tudo acabe.
Em riso em pranto em pele em
nada.
Feito ponto final.
M.I
M.I
12:24
extremo sul ao extremo norte. vi o dia nascer e até aí qualquer novidade
palavra avião me parece aborrido. me rompe los ovarios esto del
aeroporto siempre puntuando un libro hace dos años que estoy separada
por un tunel de plástico inventado por um brasileiro.
nem
queria isso, o sol. o sol do tarôt de mentira que eu desenhei pra roubar
400 pesos. as pessoas acreditam. eu ria depois, tomando o café de
mentira.
mas ele insistiu e nasceu bem na minha cara, porque ele insiste em nascer
tive q olhar pra baixo, olhei muito para baixo, então
não quero escrever isso não quero saber isso, pensei
por que o virgilio me levou pra conhecer esse lugar sem elevação?
as vellhas da feira apenas olhavam nossa cara de quem não queria ser olhado
sairam porque educação. cansaço é riso. elas gostam de chá, maquiagem e não ouvir mais merda nenhuma a memória tem hora que precisa dormir.
lindo o céu era laranja as 5:45. eu deveria ter um tapa olho absurdo um tapa olho paulistano top com desenhos de pestanas
as 6 da manhã eu tinha vontade de ligar pro virgilo e perguntar
por
que as pessoas escrevem mesmo muito bem mesmo naquele lugar feito para
vacas? naquele tango feito para vacas? nenhuma elevação. escuro. o frio
foi desdoendo de um jeito nenhum ninguém nada é possível, só vaca. e eu.
e se eu soprar um balao vermelho ali? naquele xadrez feito para bois?
por que eles fazem literatura torturam se a si mesmos tudo no se puede
tener. dios mio, en nesta ciudad nadie sabe quien soy. yo me parecia con
él alli. con virgilio (....) me sentaba, chupava como un hombre, jodia
como un hombre y peleavra chanteava choreava y puteava y las personas
se cagavan de la risa, puteava porque nasci para putear. nascida para
trepar. cualquer cosa és ggraciosa, absurda, virgilio, alla. todo puede
tener un nombre cosa, un nombre tuyo, podes elegir tu nombre todos los
dias. hoy es jueves.
te lo agrdezco, pero no
te lo agrdezco mira niño, pero no
o
escritor com gigantismo me levou pra ver o cortazar. eu vi. nem dava
pra soprar segredo no ouvido. conheci os loucos, enfermos, famélicos.
levei pra ele um exemplar.
virgilio combinou um dia. como se eu soubesse voar.
não sou pássaro mas vou voar. quem disse isso foi minha bocneca com manias literárias, a ilália, ela sabe fumar.
alla
ellos
me imaginavan, seguian sin plavaras, solo tango, yo llorava pedia a
virgilio el mar. el mar. el mar. entonces yo me erguia, me sufocava, yo
me erguia dentro deste mar vierde. es necesario mucho odio de buenos
aires para escaparse para una ciudad puente. proustituido, cortazar
mezzo riso.
no me gusta escribir mucho para vos que me cagaste la proxima cancion:
entonces el vuelo de 24 horas
eu voei 24 horas de um dia, era feio, era lindo, o sapato falava comigo, los problemas idiomáticos volvian.
hola, oi, hola, oi, ops. como estas? tudo bem? pasa nada! dale. a ver? mira.
> desconhecidos > placas mentem mais.
um
sol se põs no outro extremo, eu não queria absurdar. olhei olhei olhei
que raiva desse prefeito q me fez vomitar. a marginalidade do prefeito. o
papa não é pop mas o prefeito de natal..................
um
gato não sobreviveria. uma mulher-ponte cairia do avião. um escritor
gigante que não para de crescer bateria a cabeça no guarda volumes.
eu gritei pro piloto argentino: posso voltar? que alto. dá pra mudar de idéia?
mas eu queria. yo quiero el mar, lo soporto. yo lo voy a soportar.
10:26
LE MANS
24h são suficientes
Pra trocar os pneus de um carro
trocentas vezes.
24h bastam
Para trocar um amor pelo outro
uma vez
só.
Só a reta de Hunaudières tinha quase 6km:
Os carros forçavam tanto a velocidade
que chegavam a alçar voo.
(Não voavam, é claro: se estrepavam, como todos que tentam
voar
sem asas.)
Na verdade, a reta de Hunaudières continua com seus quase 6km
Mas agora tem duas chicanes
Para evitar que os carros – sem duas asas –
tentem o voo absurdo.
Eu falava das 24h de Le Mans
Mas eu falava também de outra coisa
Das 24h de um homem que
por problemas aerodinâmicos
tende a decolar
e a se estrepar na ideia de voo.
Um homem sem chicanes, fique bem entendido.
Em Le Mans
um carro já chegou a 405km/h.
Não conheço um homem que tenha chegado a tanto –
Às vezes, é na lenteza que se cometem os maiores riscos.
E, pra falar a verdade,
é durante as 24h que se cometem as maiores felicidades.
O risco mesmo vem depois:
Depois das 24h
quando se para
E o vento
As curvas
A sensação ébria
Desaparecem.
M.I
11:08
a jane mandou dizer que nunca leu nada mais bonito desde 16 de janeiro de 1775.
L.R
11:08
a jane mandou dizer que nunca leu nada mais bonito desde 16 de janeiro de 1775.
L.R
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