quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

estranho,
mandei um email agora não sei se foi p vc,
coisas da internet, dos wireless, dos cabos sem cabos, das conexões,
de
tanta coisa.
ah tb não tô a fim dessa coisa pautada por palavras,
p mim tb não é fácil
...
ficar pensando em vc, tentando traduzir, explicitar, escrever,
preferia, agora, ser analfabeto.
...
mas aí escrevi isso ontem, acho q fala disso,
já nem sei
nem sei
...
não quero complicar, nem te complicar
seria tão fácil, foi tão fácil, nunca é
...
queria não pensar
o (q escrevi) abaixo foi pensado, o (q escrevo) agora, não
tenta ir num ímpeto, sem freios
...
dar um tempo? uma pausa? é isso? q deveríamos fazer? e o q faço com a sua ausência?
ontem senti frio
voltei p casa, entupido, encharcado, de uísque
sem estar embriagado.
chato tudo isso, essa confusão
enfim, voltei p casa 
e senti frio, um frio fora de tempo, de clima, época, lugar
e era tua ausência
sem literarianismos, sem intelectualismos, sem racionalismo
era somente frio
isso foi o q senti ontem
nada poético
nada metafórico
nenhuma figura de linguagem
acho q tô complicando
nos complicando
não era p ser assim
a gente nunca sabe como era p ser
não tem previsão metereológica pr'o amor
...
pausa, cada reticência uma pausa, eu q detesto reticências
.
e agora me dou conta q - ao menos no literário - concluí com um ponto final:



***

LE MANS (PARTE II – Por isso fui embora)
Não devia ter te deixado ir embora.
Pra depois não saber o que dizer.
Pra depois sua carne virar tela retina pixel.
Pra depois ficar procurando palavras.
Ah que legal as palavras nosso ganha-pão. Blá.
Foda-se o ganha-pão.
O mesmo sorriso.
A mesma sombra debaixo dos olhos que não é rímel nem é olheira nem é nada porque
sei: só eu vejo.
O peito fora do sutiã.
A bermuda quadriculada colorida que você diz que resgatou da casa da amiga porque a esqueceu quando migrou pra Buenos Aires na companhia de um bando de pássaros que não tinham nada melhor pra fazer do que migrarem pra Buenos Aires naquele inverno. Ou verão.
Em 1920, e dois, sei lá.
Conheço essa bermuda. É a mesma que você zanzava aqui pela sala emputecida com alguma coisa que eu te fiz ou deixei de te fazer.
Em 1923, ou 26, lembra, quando casamos.
(Sim, deixei que você fosse embora, mas isso foi noutro ano e estação, e agora é primavera – Não, não é, senão lá vem você resgatar o Bandini e, foda-se o Bandini.)
Foda-se.
Conheço esse sorriso.
Conheço esse peito pra fora
do sutiã.
... pra ter que te responder e inventar palavras que busquem ah sofregazinhas dizer quero trepar com você por que tal vez o que eu queira de verdade é fo der com você e há uma diferença entre tre par e fo der e não existem palavras que consigam dizer melhor isso que o meu pau.
E a tu’alma. Ou minh’alma. E a tua buceta.
E aí, trepar-foder-comer-gozar-follar-joder, faz tudo uma grande diferença.
– Não, meu bem, não, não é uma questão de semântica – falo, na porta da cozinha, palito entre os dentes, café-frio na xícara. Nada é uma questão de semântica, eu, que não tenho a menor ideia do que seja semântica
E só estou aqui, escrevendo, enquanto esperam por mim,
por que não tenho outro modo de te dizer que bastava um abraço
[... is here in my arms...]
que não findasse mais.
Uma dose de uísque
que não findasse mais.
E ter você até que tudo acabe.
Em riso em pranto em pele em nada.
Feito ponto final.

M.I

Nenhum comentário:

Postar um comentário