sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

19:24
 
 
NADA É CAPAZ DE DESCREVER MELHOR o estado da noite do que os gatos arruinando a sala.
Lambem-se.
Saltam-se.
Mordem-se.
Empinam as caudas, arqueiam as costas, arregalam as íris.
Que veem os gatos, se são tão indiferentes a você?
O que olham? Sem ver... As orelhas pontiagudas abrem-se em sinal de assombro, ou esperança. As unhas riscam o sofá.
Tudo é caos, e calma.
Olho para o sofá. Lembro de O.; desnuda, de joelhos, as costas e a bunda voltadas para mim.
Ao final, me disse:
– Você não mudou nada. Seu pau continua igual.

M.I

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