carta sobre minha doença enigmática
mistérios e
saudades são o que liga. ligam as coisas. impossível fazer humor quando
existe um diagnóstico. e ele é sempre, primeiro, auto sugestivo.
morreria de amor ou tédio por auto sugestão. que tal os dois. que tal os
dois lambuzadamente entrelaçados e por que que tal não? buenos aires é a
terra da dor maior, a felicização dessa budega. o bebado trágico e
melhor sempre borracho, vive nas sombras de qulaquer futilidade
contempo. contemplativando passados agóricos. e como muda o tempo quando
somos longuínquos. e como sua o tango nuns risos. humor melhor que o da
desgraça quem melhor fez? desço minha lista de nomes, se tivesse
números ligava. ligava agora para o maior em estatura e poder melhor
escritor do país e perguntaria: como rir da miséria? da minha doenca?
sou brasileira. quero dizer. no queredouro aqui tô afim de mostrar os
dentes. tipo o nietzie, porra. gostava da doença, é normal, como dizem
os populares pós deus está morto. entao por que nao esperar RM no saguao
do hotel impossível, do hotel piscina, do hotel revólver escondido na
gaveta, do hotel todos os nomes da felicidade que pra mim sei lá, do
hotel suspense filme de suspense com mar golpeando ventana, do hotel
adjetivo, do brega, do enfadonho almofadado e reconfortante cheiro da
riqueza. espero. e quando o maior escritor humrista pisar na terra doce,
direi: estou doente. você pode ver isso? ele dirá: ñ, porra, vamos
beber. mesmo exibindo um estilo dos mais agradáveis, mesmo curando mais
que piscina-htel-revólver, uma vez vi RM simular umas lágrimas de
verdade. eu te amo. me disse isso mesmo. eu deixei doer olhando um
relógio na parede. deixamos. não me lembro a hora. mas me lembro da
auto-pista, a auto-pista, e o hotel mequetreficamente construído para o
nosso deleite. esse amor, esse humor, esse reinaldo. quem será? quem vem
lá? eu não sei escrever, não sei. me lembro da mentira. ele sabe. tem
isso de saber andar, falar, levantar o cinto e até respirar. ele sabe
respirar. beber. que mentira. mente mais, amor. a gente nunca trepou
tanto, nem muito, nem nada dessa vez ou da outra. substancias. a gente
gosta da substancia do nosso amor. uma cocaína descendo. cocaína de
mentira. eu amo você. verdade. me faz rir. eu disse lacan? ele gostava
de dinheiro. tinha cofre com ouro. não conversava grátis. a gente
conversa. verdade, né? vem cá. cade esse avião que volta para trás? eu
quero rir chorando nos seus cabelos brancos que de verdade são cinzas.
naad mais bonito. pena que mora em são paulo.
daí ri não que to doente. faz
tempo que não fiz o exame. chato ser pobre, escritor que mais
intelectual precário tá pronto de pobre pra escrever livro bom de
barriga vazia. meio oscar hila santa margarida coração. humor. dentes.
mas tô doentesss. exame nenhum, não senhor. assusta assim ñao, tá? terra
da felicidade. só a asua, real, puxa as calças. faz tempo que eu fui,
né? e agente riu desfilando vulgaridade. já te disse que adoro ser
frívola? consigo pouc. com você menos. por que sei lá. parece que você
aguenta um tango na hora errada. coitado. o exame é assim: chapas e
cifras, tudo contado. é que eu fui embora e daí voltei pro hotel.
rapidinho. não conta pra ninguém. to sofrendo de amor e o aviao nao
chega. já te disse que o amante é minha biografia? só que ela q
escreveu. a margarida deus docéu. na ásia. tão longe.
cadê você?
peço um vinho.
a doenca é auto sugestão. coisa de arrentino. arrenta, chanta, macabro.
afasta de mim esse fala-se
vem logo, desce do avião. tem motor que saco a demora.
vamos examinar bem essa doente sem diagnóstico, bem doente
de amor não. matei o werter. tomei o sangue dele todo com champanhe numa bandeja embaixo da chuva. só pra rir com você.
agora
sério. sei lá esse negócio de saudade enferma misturada com me deixa ir
e cadé você realidade, calculadora na cabeça, dívidas, mesa, fantasia,
realidade.
que saco ter q entender alguma coisa. desisto. o cortazar tinha jeito presses truques. pouco riso.
cadê meu vinho?
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